Especialista em tecnologias para educação, Luciana Allan, defende o uso de smartphones como ferramenta pedagógica
“A
principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de
fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações
já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A
segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições
de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe.”
“A
principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de
fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações
já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A
segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições
de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe.”
A
frase, de Jean Piaget, não poderia ser mais atual, mas precisa
encontrar eco nos novos desafios agora impostos aos educadores na
formação de uma geração de estudantes que são nativos digitais.
Não
é incomum ouvir pessimistas de plantão incrédulos com a adoção
das novas tecnologias nas escolas, especialmente nas instituições
públicas, que recebem estudantes com condições sociais mais
precárias, sob o argumento de que não só não há recursos para
investir na compra de equipamentos e de que a escola tem outras
prioridades mais urgentes, mas também de que estes jovens não
teriam a cultura necessária para utilizar computadores, tablets,
softwares ou pesquisar na Internet.
Será
mesmo? Antes de fazer uma análise do ambiente escolar, cabe avaliar
o comportamento desta nova geração no acesso e uso das tecnologias
digitais. Basta um olhar mais atento para perceber que, assim como
aconteceu com o rádio e depois com a TV, os celulares, os tablets e
computadores, de uma forma geral, estão cada vez mais presentes nos
domicílios das classes menos favorecidas, criando assim um cenário
bastante favorável para adoção deste tipo de tecnologia nas
escolas.
De
acordo com recente pesquisa realizada pelo CEBRAP
(Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) com o apoio da
Fundação Victor Civita com
estudantes do Ensino Médio, com faixa etária entre 15 e 19 anos,
residentes em São Paulo e Recife e renda familiar inferior a R$ 2,5
mil, quase 60% possuem um celular ou tablet com acesso à Internet e
mais de um quarto deles já os utilizou para estudar e realizar
atividades escolares.
Ao
invés de coibir o uso do celular, as escolas deveriam incorporá-lo
como um recurso que já tem uma forte ligação com a rotina dos
estudantes. Se bem aplicados e com um planejamento bem elaborado,
eles podem contribuir fortemente para envolver os alunos em um
processo de aprendizagem baseado em projetos, envolvendo atividades
desafiadoras e que são conectadas ao cotidiano do aluno. As escolas
devem estimular a criação de conteúdos e o desenvolvimento de
projetos educacionais e pedagógicos que o transformem em uma
poderosa ferramenta de ensino e aprendizagem.
Está
nas primeiras páginas dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)
que o objetivo final do Ensino Médio é preparar o aluno para dar
continuidade aos seus estudos, ingressar no mercado de trabalho e
exercer sua cidadania. Mas será que a organização de nossas
estratégias de ensino estão suportando efetivamente estes desafios?
Ao
que tudo indica, ainda não. Em pesquisa realizada com 63 presidentes
de grandes empresas, publicada pela revista Você S/A, os mesmos
mencionaram que buscam jovens que saibam se comunicar bem pela
oralidade e pela escrita, tenham um bom raciocínio lógico, saibam
pesquisar, se relacionar bem, usar tecnologias, administrar bem o
tempo, preservar o meio ambiente e fazer trabalho voluntário. Ou
seja, muito mais do que pessoas com conhecimento técnico, as
empresas estão buscando pessoas que tenham atitude, iniciativa,
criatividade e resiliência.
Para
que a escola consiga engajar e motivar estes alunos da geração que
já nasceu digital é preciso avaliar alguns pontos, como se a grade
curricular que está sendo trabalhada é relevante e faz sentido para
os alunos; se as estratégias de ensino são instigantes e
desafiantes, colocando o aluno no centro da aprendizagem e
colaborando no desenvolvimento de suas competências e habilidades
básicas para serem mais participativos na sociedade; e, claro, se os
recursos que apoiam estas iniciativas são os mais adequados.
O
celular pode permitir aos alunos pesquisar na Internet, criar textos,
gravar vídeos, tirar fotos, produzir podcasts, armazenar dados e
compartilhar todo material nas redes sociais e blogs, possibilitando,
inclusive, desenvolver projetos colaborativos envolvendo alunos de
várias escolas e até mesmo de outros países, entre diversos outros
recursos que irão tornar o processo de ensino e aprendizado muito
mais empolgante.
Adotar
as tecnologias digitais na educação é um caminho sem volta. Mas
não é preciso reinventar a roda. Agregar o celular como ferramenta
pedagógica já pode ser um excelente começo. Proibir seu uso nas
escolas faz com que os alunos se sintam em um presídio, de acordo
com a pesquisa desenvolvida pelo CEBRAP.
Já
há diversas empresas desenvolvendo softwares e aplicativos para
smartphones com fins educacionais. Afinal, se o celular é uma
ferramenta para uso profissional, por que os alunos não podem
utilizá-la na escola? Um dos principais papéis da escola não é
justamente preparar os estudantes para o mercado profissional? Então,
qual o sentido de obrigar o aluno a deixá-lo em casa?
Diretora
do Instituto Crescer para a Cidadania e doutora em educação pela
Universidade de São Paulo (USP) com especialização em tecnologias
aplicadas à educação.
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